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terça-feira, 6 de março de 2012

ENTREVISTA COM LIDIANE


Dia desses, passando pela comunidade no orkut, vi um tópico que me chamou muita a atenção, uma história de uma menina que seria praticamente expulsa de casa simplesmente por que a sua família não aceita seu ateísmo.

Uma coisa que me deixou extremamente triste por que também sou ateu mas miha família jamais faria isso comigo. Imaginei-me na pele dela e resolvi entrevistá-la neste jornal, como uma forma de protesto em seu apoio pela liberdade de não crer em nada mísitico e pelo direito de ser respeitado por isso.

O nome dela é Lidiane, e ela sofre na pele um preconceito dentro da própria casa.Lidiane é nascida e mora no estado de São Paulo, atéia participante da comunidade "ateísmo e anticristianismo".


Esta entrevista é o modo de expressar todo o meu respeito pela sua liberdade de escolha. Saiba que tem o meu total apoio. E lhe desejo, Lidiane, muita sorte na vida.

Vamos à entrevista, então:

Ateu Poeta:
1° Por que você decidiu ser atéia?

Lidiane:

Ser atéia nunca foi uma decisão para mim.Nasci em uma família extremamente religiosa e que segue um pensamento puritano.

Simplesmente um dia, lendo um folheto religioso, me surgiu a pergunta: “Por que eu acredito em Deus?” e infelizmente – ou talvez felizmente – não houve resposta.Passei então a buscá-lo, a fim de reafirmar minha fé, mas o resultado foi o contrário.

No começo eu acha que duvidar da existência de deus era algo repulsivo, inadmissível; rejeitei muito um possível ateísmo, e muitas vezes me peguei dizendo “É claro que eu acredito, não posso duvidar ” “Deus existe! Há provas disso por todo lado”.

Quando percebi que estava sendo hipócrita ao querer enganar a mim
mesma, ao invés de aceitar minhas dúvidas, comecei a ter uma visão mais crítica,
a questionar, e a não me contentar em não entender determinadas coisas. Foi aí
que eu entrei num período de transição; primeiro virei agnóstica, hoje sou
atéia.

AP2° Qual o pior preconceito que sofreu a este respeito?


L: Ainda hoje tenho muita dificuldade em assumir meu ateísmo. Passei um ano e meio escondendo de todos e, inclusive, da minha família.Um dia cansei de agir como se eu ainda fosse uma cristã; Contei pra minha família.

Meus pais rejeitaram meu ateísmo, foram preconceituosos e quase me rejeitaram também.Disseram-me: “Não somos obrigados a conviver com alguém tão diferente de nós” “Quando você fizer dezoito anos não precisa mais voltar para casa”.

Depois de tanta discussão, minha mãe chorando disse: “Então você não acredita em nada?! Você precisa acreditar em alguma coisa... e quando você precisar de ajuda, a quem
vai pedir, pra quem irá pedir um refugio ou consolo?”.

Nesse momento, mais do que nunca, percebi o real motivo da fé...Meus pais só me fizeram ter a convicção de que o ateísmo é a forma mais coerente de enxergar o mundo.

AP: 3° O que você acha que é necessário que aconteça para que o preconceito contra os ateus diminua?

L: Não sei dizer ao certo. Sabemos o quanto a religião tem um poder muito grande de influência sobre as pessoas, e é exatamente a religião e a própria bíblia que condicionam o pensamento preconceituoso contra nós ateus.


A maioria das pessoas tem uma visão distorcida e generalizada de nós, por isso, para que consigamos diminuir esse preconceito nós devemos mostrar às pessoas quem somos, o que pensamos, o quanto podemos ser morais, bons e éticos sem termos religião ou crença.

AP: 4° O que a faz continuar sendo atéia?

L: Posso manter um olhar critico, aceitar ou rejeitar algo sem ter precisar me manter centralizada num conceito espiritual ou dogmático.

A visão religiosa fecha nossos olhos para muitas coisas, faz-nos enxergar somente aquilo que queremos ver ou aquilo que nossas crenças permitem/querem mostrar, mas não o que realmente acontece.


O que nos torna humanos é a consciência, e eu posso usar a minha sem ter que aceitar tudo o que um suposto deus faz e escolhe, estando certo ou errado, só porque ele é um deus.O único motivo, e por si só suficiente, para me fazer continuar sendo atéia é a falta de razões para crer em um deus especifico em meio a tantos outros deuses.

AP: 5° Deixe uma mensagem para aqueles que temem os ateus.


L: Você já parou para pensar que independente de crença as características que mais importam em um ser humano é o caráter, a bondade, o altruísmo, a ética e o amor? Todas essas coisas não se adquirem crendo, nem descrendo de deuses, mas simplesmente as temos, ou não.

Nós ateus, podemos ser tão maus ou tão bons quanto qualquer um que sente-se ao seu lado na igreja, que se ajoelhe e reze para Deus, leia a bíblia frequentemente ou qualquer um que te cumprimente segundo os costumes da sua igreja.

Você sabe disso, só não aceita.


ATEU POETA
Entrevista concedida em 18/06/2010
Ceará-São Paulo, via orkut e via e-mail

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