segunda-feira, 14 de maio de 2018

A HISTÓRIA DE UMA DEUSA

A HISTÓRIA DE UMA DEUSA
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Vou tentar em poucas palavras construir um conto que ilustre uma história real e que representa a condição da mulher em nossa sociedade, especialmente a brasileira que está inserida obviamente na cultura judaico-cristã que sabidamente e historicamente reduz ou inferioriza a figura feminina ou exalta o masculino em detrimento desta primeira.
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Bem, conta-se que havia uma deusa de nome Astarte - Suméria - era ela a verdadeira soberana do mundo, que eliminava o velho e gerava o novo; também conhecida pelos babilônicos como Ishtar, que quer dizer estrela: a luz do mundo, a que abre o ventre, faz justiça, dá a força e perdoa.

Diz-se que em uma certa noite Astarte passeava sobre as areias de uma imensa e bela praia, quando se viu diante de um homem alto de tronco largo, cabelos e barbas longas e de feição agressiva, aproximou-se e curvou-se diante da deusa.

_Quem és tu? - indagou-o Ishtar

_ Me chamam Misógynes , venho de longas peregrinações. Descendo de um casal que em outros tempos saiu da Babilônia e fixou-se na Terra de Israel, no entanto nos proliferamos e de clãs nos convertemos em tribos. Fui proclamado Deus de meu povo e o tenho liderado em guerras sem fim pela conquista de terras fartas. Hoje, foi decidido, Eu Sou o Único Deus e todos os outros devem deixar de existir. Portanto, vire-se e tire suas vestes, pois vou possuí-la.

Astarte afastou-se, olhou-o fixamente e assumiu posição de batalha, e assim manteve-se quando, o impetuoso deus Misógynes ergueu-se e com monstruosa violência e força em segundos golpeou-a na face levando-a ao solo. Ali, na areia iniciou-se uma luta por sobrevivência e de muitos significados: a força bruta, a rudeza, a incomplacência unidas para eliminar ou subjugar e inferiorizar o que até então havia regido o equilíbrio e harmonia do mundo: a beleza, a renovação, a sensibilidade, a fertilidade e a justiça.

Astarte tentou com todas as forças livrar-se dos ataques do inimigo e não viu outra alternativa a não ser lutar mesmo em face da diferença descomunal de força que Misógynes exercia sobre ela, enquanto se debatia e arranhava os braços de seu opressor, Astarte teve o rosto desfigurado pelos duros golpes do arrogante deus.

Os céus bradaram em trovoadas e a densa noite se fez em tempestade. Quando a frágil, mas corajosa deusa, de repente deu um grito e então as águas do mar se agitaram e uma enorme onda caiu sobre a praia levando-os consigo. Revigorada pela água , Ishtar conseguiu dominar Misógynes e o afogou nas águas de seu próprio dilúvio.

Exausta, Astarte desmaiou na praia. Ao amanhecer foi encontrada por Imhotep e este a cuidou e reconstituiu sua bela face que fora deformada por Misógynes.

As histórias de Astarte são muitas, renovada ela seguiu seu caminho e assumiu a missão de instruir e educar os povos para que não mais outros Misógynes se levantassem para espalhar o ódio e a intolerância. Astarte ou Ishtar, deu ainda à luz a um casal de filhos e a jovem tornou-se a Deusa da Sabedoria e o Rapaz, Deus da Medicina e Diversidade.

Obs. Usei de licença poética para construir uma estória utilizando-se de personagens mitológicos para narrar uma história real.